terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um saltinho ao blog do lado

Tem sido difícil arranjar tempo para escrever aqui...
Mesmo assim aceitei a proposta de escrever no melhor blog de toda a blogosfera:

http://jeunegarde.blogspot.com/

Muita e muito boa gente!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Um olhar sobre a conspiração

Na ciência, em variados campos, não é senão normal analisar o pequeno para conhecer o grande (e vice versa), às vezes o melhor para conhecer o geral é olhar primeiro para o particular...

Esta primeira ideia é uma ajuda para esta pequena reflexão que proponho.

Primeiro vejamos, o que é a conspiração, o que se classifica como teoria de conspiração?
Somos enterrados diariamente num mar de informações, algumas tomamos como verdadeiras, outras nem nos são apresentadas como tal, muitas querem passar por verdades mas nós temos uma caixinha para elas, são as teorias da conspiração.

Muitas vezes o que salva informações de terem como destino essa caixinha é o facto de serem transmitidas na TV, a internet já não é tão fiável...às vezes as coisas nem estão assinadas...
É muito melhor a tv, que tem donos, sofre pressões e limitações de liberdade (e isto cada vez se torna mais claro).
Quem anda pela net vai descobrindo sites onde jornalistas conhecidos publicam textos que os jornais que os empregam recusam, no entanto esses textos já não são sérios, porque se a entidade empregadora não gostou então deve ser mentira.
Pensar o contrário seria dizer que muitas vezes nos enganam, e aqui na terra, seja ela a que quiserem, ninguém se deixa enganar.

Quando confrontamos alguém com ideias que contradizem a corrente oficial e dos media, é normal ouvir comentários focados na ideia de que as tais teorias são complicadas e reboscadas e a versão da TV é tão simples, linear e fácil de aceitar...

Agora sim interessa relembrar a ideia que introduzi falando no que se faz em campos da ciência.

Estas ideias da conspiração parecem complicadas e parvas porque metem tanta gente de esferas que parecem tão distintas a actuar juntas e isso puxa pela cabeça e obriga a aceitar que o mundo não são as três ideias que nós debitamos entre a cerveja e os amigos...

Vejamos então o que se passa num universo pequenino, para ver se se adapta num modelo simples media-like: Aqui o professor é o elemento que sabe menos, como nós quando se trata de informação que nos é transmitida.

Temos um trabalho da escola para fazer, e é aborrecido e complicado. Há um amigo que já fez e nos pode mandar, mas o professor é o mesmo e temos de mudar qualquer coisa. Aproveita-se o que está bom, muda-se o português, já nem parece um trabalho copiado. Depois uma pesquisa na net revela mais duas ou três coisas bem feitas sobre o tema, mas estar a analisar aquilo tudo e interpretar e mudar tudo dá tanto trabalho, vamos antes copiar e colar, depois na bibliografia pomos uns sites diferentes de menor qualidade e o professor até acha que aprofundámos o estudo do material recolhido.

Trabalho feito!

O professor recebe o trabalho, pensa que o aluno o fez recorrendo a informação recolhida das fontes referidas na bibliografia. A verdade que ele assume é simples, linear, como o telejornal.

O aluno que acha que sabe a verdade, pensa que copiou um colega que fez um bom trabalho, e uns trabalhos já feitos disponíveis na net.

Na verdade provavelmente o colega que arranjou o trabalho já o fez recorrendo a outras coisas de outras pessoas, e os sites na net são, em geral, copiados de outros trabalhos já feitos.


E nesta teia toda o aluno só tinha a ganhar umas horinhas poupadas na resolução do trabalho, correndo o risco enorme de ter um professor mais atento que descubra o esquema

Esta história é credível para qualquer pessoa que a leia, aconteceu com todos, faz parte da escola copiar trabalhos. É errado, traduz-se numa pequena vantagem, e acarreta riscos altos.

No entanto admitir que um país possa simular uma acção para atribuir culpas a inocentes e com isso ter desculpa para intervenções que se traduzam em lucros gigantescos (à partida sem grandes riscos se a coisa estiver bem feita), é uma loucura e ninguém acredita se não estiver na tv...


Não estou aqui a defender lunáticos que defendem coisas sem sentido lógico nenhum, estou antes a apelar à capacidade de questionar, tentar saber sobre as coisas antes de ficarmos com ideias feitas só porque alguém da comunicação social disse...

Até porque o que a história revela, principalmente no capítulo das relações internacionais, é que com o passar dos anos a conspiração dos doidos acaba por se tornar verdade incontornável e muitas vezes admitida por intervenientes que, antes, tão fervorosamente negaram tais ideias.

Vou dedicar uns quantos posts a estas coisas de gente doida(ou nem tanto)...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A democracia é como o bacalhau, tem de se demolhar!

Ferreira Leite bateu no fundo, há limites para uma direita que se diz moderada!
Animada em encontro de clima milionário a líder do PSD deixou-se levar pelo cheiro a dinheiro e deixou que lhe fugisse a boca para a verdade, como era porreiro um semestre de ditadura fascista para endireitar as coisas...
Imagino as imagens que voaram pela cabeça da mulher, ilegalizar a esquerda, destruir os sindicatos, baixar ordenados, subir preços, acabar com o ensino público e o sistema nacional de saúde, privatizar o que ainda resta ao estado. Ao fim ao cabo seria só fazer depressa o que se tem feito devagar...
Manuela Ferreira Leite disse não acreditar em reformas contra classes em regime democrático, eu também não acredito. Acredito em revoluções, revoluções que ponham fim ao sistema de classes, revoluções que permitam chegar uma verdadeira democracia, uma que não precise de tirar férias, uma terra sem amos, a Internacional!

"De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades"- O avô das barbas

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Oh Milu, diz-me tu...

E a Milu já cedeu, não perante os professores mas perante os alunos. O fantástico clima de contestação que foi crescendo nas duas últimas semanas levou a que a a ministra e os seus lacaios desse um passo atrás.

É que a Milu, esse monstro irracional e orgulhoso, já foi em tempos uma pessoa. Nos seus tempos de estudante milu era uma discreta amante da revolução, observava intrigada e apaixonadamente o Chile de Allende. Hoje parece mais próxima de Pinochet, não imagino o que pode levar uma pessoa a mudar tanto.

Uma coisa é certa, Milu ainda não venceu os professores, e o passado da ministra provavelmente dá-lhe a capacidade de reconhecer o poder das pessoas e da união, o poder do povo!
Os estudantes, agora mais calmos com a pequena vitória, certamente vão voltar a insurgir-se contra os crimes constantemente desferidos no ensino!

Tem cuidado Milu, não caias da cadeira!

domingo, 16 de novembro de 2008

Marx e as Sardinhas

Este post é de doido para doidos

Depois de não ouvir uma apresentação sobre enlatados (especificamente sardinhas) num congresso sobre Marx fiquei a pensar na ligação dos temas, saiu isto:

No meio de uma crise do capitalismo, como a que vivemos agora, fica sempre no ar aquela dúvida do "será desta que as pessoas ganham consciência de classe e se revoltam? Será esta a derradeira crise para o capitalismo?". E então? Bem, parece que ainda não é desta...
O capitalismo, embora em crise, foi capaz de nos isolar uns dos outros, criar um contentor estanque em redor de cada um de nós que impossibilita a massificação de qualquer ideia ou vontade, a não ser que essa ideia seja enviada para todos os contentores ao mesmo tempo pela verdadeira máquina de formatação, a comunicação social corrupta e corruptora.

Somos como as sardinhas, só que as nossas latas são de dose individual. Somos um monte de latinhas empilhadas aos milhões todas juntas umas das outras. Essa lata, esse contentor que nos separa, é feito de ignorancia de conformismo e de medo!

As sardinhas percorrem ao longo da sua vida (e morte) um caminho comparável ao da nossa História:
Começam livres nos mares, são pescadas em redes onde sem condições são esborrachadas umas contra as outras, depois matam-nas, preparam-nas para se tornarem comida, são enlatadas e acabam a servir de alimento a quem tornou apetecível que elas fossem pescadas (oferta e procura).

Do mesmo modo, da pré-história até agora, as classes(ou pelo menos desde o momento em que o são) subjogadas perderam liberdade, mais recentemente perderam vontade, tornando-se alimento e sustento das mesmas entidades que roubam tão habilmente essa vontade e impossibilitam a liberdade.

Mas nós não somos sardinhas normais, temos a capacidade de quebrar e inverter o ciclo!

Toca a abrir as latas e voltar ao mar!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pescadinha de rabo na boca

Ontem a minha acompanhante para a noite foi a ARtv, o canal parlamento. Durante cerca de 5 horas e meia o governador do banco de portugal prestou declarações e esclarecimentos sobre a sua (falta de) actuação no caso BPN.
Do discurso vazio e cíclico, em que as parcas justificações não convenceram, destacam-se duas frases que, combinadas no mesmo discurso, como foram usadas, demonstram a dificuldade de aguentar uma falsa argumentação em que nem o próprio acreditava:
" Fizémos tudo o que estava ao nosso alcance (interrogatórios que na sua grande maioria não obtiveram resposta do banco), isto aconteceu por toda a europa, se eu falhei então toda a regulação europeia falhou (e é suposto isto ser estranho?)."
"A falta de resposta aos nossos questionários não evidenciava nada que justificasse medidas mais fortes, as perguntas eram gerais e sem conteudo específico que levasse a identificar irregularidades."

As frases transcritas não são iguais às pronunciadas, mas, fora alguma falha grave da minha memória ou compreensão, transmitiam a mesma informação.

Ora é engraçado que o governador do banco de portugal, entidade máxima de regulação do sistema financeiro, considere que a coisa mais profunda que podia fazer para auditar um banco que mostrava sinais problemáticos fosse um questionário que não permitia identificar essas falhas. E após falta de resposta durante largos meses não se justificava outro tipo de intervenção...

Mais fantástico só mesmo o facto de Constâncio, após duas enormes fraudes bancárias apoiadas em offshores, continuar a considerar que não se devem tomar mais medidas para controlar o s movimentos dos bancos nestes paraísos fiscais....

Só em tom de brincadeira vão procurar saber quanto ganha por mês o senhor governador...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Conspiração ou Inspiração?

Quem não era emprenhado pelos ouvidos com desinformação dos media mainstream era doido, ou pelo menos chamaram-me muito isso...Bem, a verdade acaba sempre por aparecer...

"With the exception of Washington Note and Financial Times, the mainstream media decided not to report Zbigniew Brzezinski’s comments that shatter the United Stator ruling class. Auditioned on February 1st, 2007 by the Senate Committee on Foreign Relations, the former National Security Adviser read a statement the terms of which had been carefully chosen.
He indicated that : " a plausible scenario for a military collision with Iran involves Iraqi failure to meet the benchmarks, followed by accusations of Iranian responsibility for the failure, then by some provocation in Iraq or a terrorist act in the US blamed on Iran, culminating in a ‘defensive’ US military action against Iran that plunges a lonely America into a spreading and deepening quagmire eventually ranging across Iraq, Iran, Afghanistan and Pakistan".
As you must have noticed: Mr Brzezinski evoked the Bush administration plausible organization of an attack in the United States, and the possibility of holding Iran wrongly responsible for it.
In Washington the analysts hesitate between two interpretations of this statement. For certain officials, the former National Security Adviser tried to beat the neoconservatives to it and to cast doubt in advance on any circumstance which would lead to the war. For others, Mr Brzezinski wanted, in addition, to suggest that in case of collision with the war partisans, he could reopen the September 11th file. In any case, Thierry Meyssan’s hypothesis - According to which the September 11th attacks would have been perpetrated by a Military-Industrial Complex faction to provoke the Afghanistan and Iraq wars - Leaves suddenly the taboo domain to be discussed publicly by Washington elites."

Fonte: www.voltairenet.org

Guerra Infinita

É grande o texto, mas é importante, percam uns minutos para o ler!

Por Paul Moreira, publicado originalmente em Bakchich.info

A guerra acaba de se reacender no coração das trevas. Lá, onde as câmaras não vão nunca. Lá onde a nossa ignorância permitiu que perto de cinco milhões de homens e de mulheres morressem em dez anos. Sem dúvida, cerca de 400 mil mortos a tiro. Os outros morreram de fome ou de doenças nas florestas onde se refugiam, perseguidos pelas milícias. De acordo com o International Rescue Committee, a ONG americana que tentou quantificar o excesso de mortalidade nesta região, a guerra que dilacera o leste da República Democrática do Congo desde 1996 é o conflito mais caro em vidas humanas desde a segunda guerra mundial.
Vocês ouviram falar?... Têm alguma imagem na memória? A guerra do Congo é um holocausto em surdina. Daqueles que nos abandonam. Associados imediatamente à misteriosa selvajaria dos homens brancos. É verdade que se trata de uma região de uma complexidade extrema, onde a disseminação das armas multiplicou as milícias e as possibilidades de abusos. Mas, se nos dispusermos a abrir os olhos e a ouvir os testemunhos terríveis e simples dos refugiados, dir-se-ia que estamos na presença de uma guerra de pilhagem, agravada por uma vingança étnica. Ou de como uma potência estrangeira mantém o caos e milícias «proxys» (milícias substitutas, ou por procuração) para conservar o acesso a um mineral precioso indispensável aos nossos telemóveis.

Neste preciso momento, perante a maior indiferença, a guerra conhece um violento sobressalto. A milícia de Laurent Nkunda, o CNDP, passou ao ataque contra o exército oficial congolês (os FARDC) e aproxima-se de Goma, a capital do Kivu do Norte. As colunas de refugiados juncam os caminhos. Actualmente são quase um milhão e meio na região. A cena repete-se desde há anos: as mulheres vergam-se sob fardos mais pesados do que elas, as crianças assustadas saltitam a seu lado, pés descalços. Silenciosos. Dirigimos-lhes a palavra, e é sempre o mesmo murmúrio lamurioso: «Laurent Nkunda extermina-nos. Nós dormimos na floresta. Eles disparam à noite sobre as nossas aldeias. Nós morremos de fome...»
Laurent Nkunda é um senhor da guerra. É um tutsi congolês. A sua milícia, o Congresso Nacional para a Defensa do Povo, afirma ser um movimento puramente congolês de defesa dos tutsis do Congo. Mas os múltiplos inquéritos das Nações Unidas e da Amnistia Internacional sublinham que o CNDP de Nkunda recebe armas e apoio logístico do Ruanda. Uma espécie de exército de ocupação por procuração. Laurent Nkunda é, de resto, um antigo oficial do exército do Ruanda. A sua milícia domina a fronteira entre o Congo e o Ruanda.
Há poucos dias, os homens de Nkunda conseguiram recuperar a cidade de Rutshuru. As ONG que tentavam evacuar a cidade foram bloqueadas pela população. Aterrorizados com a ideia de ficarem entregues à milícia de Nkunda, os habitantes fizeram uma barreira humana à partida dos jipes. Sem dúvida, os habitantes de Rutshuruh esperam que a presença de observadores ocidentais impeça os massacres.
Massacre sob o olhar da ONU
Há quase um ano, em Dezembro de 2007, enquanto o exército do Congo conseguia fazer recuar alguns quilómetros os homens de Nkunda, visitei Rutshuru. Na grande trilha que vai em direcção ao Uganda, vi os habitantes regressarem às casas que tinham abandonado. No quilómetro 22, em Katouigourou, a Cruz Vermelha organizava a reinstalação de várias centenas de civis. Os hutus do Congo ou Nandé. Ao longo de seis meses, eles tinham vivido na floresta ou nos campos de refugiados. Na multidão colorida, quase não havia homens. «Foram mortos aleatoriamente e sem provas», explica-me Simon Habimana, um homem grande e seco com um crachá da Cruz Vermelha. «Eles assassinaram o meu responsável. Exterminados. Porque eram hutus.» Matar sistematicamente pessoas devido ao seu grupo étnico, isso tem um nome: genocídio. Como é que nunca ouvimos falar? Há no leste do Congo o maior contingente de capacetes azuis do planeta. 17 mil homens. A Monuc. O olho da comunidade internacional. Tem por missão explícita proteger as populações civis.
Yoheri Kanyenyezi, o homem do boné branco, exteriorizava a sua cólera:
- «As pessoas correram riscos para alertar a Monuc, em Goma, atravessaram zonas perigosas. Nada aconteceu. Alguns nunca mais voltaram. Nós repetimos vezes sem conta que os homens de Laurent Nkunda matam-nos. Vocês, os brancos, vêm, tomam notas, vão-se embora e nada acontece!...»
Entre os aldeões, evoluem os homens armados discretos, quase furtivos. Hutus ruandeses. FDLR. Os mais velhos de entre eles provavelmente participaram nos massacres de tutsis no Ruanda, em 1994. As suas bases militares estão na floresta, mas algumas dezenas dos seus homens tinham tomado posição nas aldeias e viviam lado a lado com os camponeses congoleses. Sem dúvida a principal causa dos seus infortúnios. Devido a esta presença, os tutsis de Nkunda, quando atacam as aldeias, matam sem discernimento todos os homens em idade de combate. Na enorme vegetação do Parque de Virunga, a alguns metros da estrada, a terra das valas comuns está ainda fresca. Os camponeses apressam-se para nos mostrar.
- «Aqui, estão cinco!... Mortos a 13 Agosto, mesmo antes de eles se irem embora. »
Uma fina camada de terra cobria os corpos em estado de decomposição. O odor agressivo fazia recuar a multidão. Antes de lhes pedirmos, os aldeões vão mostrar-nos outras duas valas. Que contêm, dizem eles, uma vintena de cadáveres igualmente recentes.
- «Há muitos outros, afirma Yoheri. Em Kicharo, encontrámos 32. Mas é impossível saber onde estão todos. Estão na selva. » Estes crânios e estas ossadas à flor de terra, o pavor espanta os sobreviventes, são imagens que lembram violentamente as imagens do genocídio ruandês de 1994. Mas aqui, em Katouigourou, as vitimas são hutus e os carrascos são tutsis. É esta inversão de papéis que aceitamos com dificuldade. Porque no fundo da nossa mente, a história terminou em 1994, com a divisão dos papéis do Bem e do Mal, distribuídos definitivamente. Para falar aos brancos - aqueles que tenham talvez o poder de pôr um fim ao infortúnio, homens e mulheres fazem fila. Esperam silenciosamente a sua vez. Todos congoleses. Todos hutus. Uma mulher, jovem aldeã tímida, com um xaile na cabeça, desaustinada: « Os tutsis mataram o meu marido perto da escola.
- Porquê?
- Não sei, sei apenas que eram Tutsis... »
Bravo
Uma acusação repete-se: Bravo, Bravo... A Brigada Bravo... Uma peripécia absurda e mortífera da guerra do Congo. A ideia, bem-intencionada, nasceu na missão das Nações Unidas. Na procura da paz entre as diversas facções, em 2006, foi assinado um acordo para integrar alguns milicianos fiéis a Laurent Nkunda no seio do exército oficial congolês. A brigada chama-se Bravo. Na região de Rutshuru, sob a marca do novo uniforme do exército oficial congolês, a população reconhece agora com grande surpresa os milicianos que ontem matavam e violavam as mulheres. Eles são responsáveis pela sua segurança. Durante meses, os homens da Bravo vão servir-se do uniforme do exército nacional para continuar a conduzir a sua guerra privada. «Por que não responsabilizar exclusivamente os hutus ruandeses se eles querem fazer a guerra?», pergunta Simon Habimana. «Desde 1996, são os hutus de Congo que pagam por eles ... »
Em 1994, depois do genocídio dos tutsis e hutus moderados do Ruanda e da tomada do poder pelo FPR de Paul Kagamé, as milícias extremistas hutus, os soldados Ruandeses genocidas passaram a fronteira para se refugiar no Congo. Até hoje, vemo-los aqui ou lá, ao longo das estradas, em desconjuntados uniformes, carregando kalashnikovs com pinturas descascadas. Os FDLR afirmam que romperam com o seu passado genocida e que asseguram a protecção das populações locais. Na realidade, os milicianos hutus ruandeses vivem como parasitas no seio deles. Maldição última para os hutus congoleses: agora, aos olhos dos tutsis do Ruanda e dos seus aliados do Congo, eles tornaram-se suspeitos de cumplicidade com os seus velhos inimigos... e deste modo, alvos legítimos...
Em Setembro de 2007, num momento de verdade, Laurent Nkunda declarou que as FDLR acabaram por «intoxicar» os hutus congoleses que partilhavam doravante a sua «ideologia» genocida. Para Simon Habimana, que enterra as vítimas de Katouigourou, as verdadeiras razões da guerra são outras: «Eu penso que é demasiado simples apresentar estes massacres como represálias dos tutsis contra os genocidas hutus do Ruanda. É por outros interesses que eles mataram as pessoas... E vocês sabem quais...».
Direcção: subsolo
De acordo com Brian Wood, da Amnistia Internacional, que seguiu de muito perto os tráficos de armas no leste do Congo: «A verdadeira causa desta guerra étnica é o controle das riquezas minerais...» Os congoleses sabem-no: o seu país possui um dos subsolos mais ricos do planeta. Ouro. Diamantes. Cobalto. Cassiterita e coltan. Os metais pesados indispensáveis à revolução digital. Servem para fabricar os micro condensadores dos nossos telemóveis e das consolas Playstation. Os milhares de minas mais ou menos artesanais esburacam o leste da República Democrática do Congo. Toda esta riqueza despertou os apetites dos países vizinhos do Congo. O Uganda de Museveni e sobretudo o Ruanda de Paul Kagamé. Em duas ocasiões, em 1996 e em 1998, estes países invadiram o Congo. Pareciam ter uma visão. Redesenhar o coração de África. Pôr fim à autocracia ubuesca de Mobutu. Para Washington, que o tinha instalado no poder, nos anos 60, o velho ditador zairense é agora descartável. Kagamé e Museveni impõem-se perante eles como novos líderes do continente. Uma cooperação militar está estabelecida. As forças especiais americanas treinam os elementos de elite do exército de Kagamé (Ver « O comercio do terror »). É o enviado especial de Bill Clinton em África, Bill Richardson, que vai a Kinshasa, agradecer a Mobutu pelos seus serviços prestados e convencer o antigo aliado a abandonar o poder. O Zaire torna-se República Democrática do Congo.
Os ruandeses e os ugandeses vão concentrar-se na exploração das regiões mineiras próximas dos seus territórios. Desde logo directamente. Depois, após o fim da ocupação militar oficial, por intermédio de partidos e de milícias que eles financiam, armam e controlam. Os ugandeses implantaram-se em Ituri e os ruandeses no Kivu do Norte. Cada um na região próxima da sua fronteira. Oficialmente, o Ruanda nega qualquer envolvimento com estas milícias. Um grupo de peritos da ONU destacado na região, no início dos anos 2000, estabeleceu e documentou a ligação orgânica entre as duas potências regionais e o triângulo mortal desta guerra de apropriação:
milícias-minérios-armas. Emitiram uma série de relatórios sobre a pilhagem do Congo, implacáveis e terríveis para o Ruanda. A estratégia de «guerra por proxys» é evidenciada de modo explicito. Um capítulo de um dos relatórios de 2003 permanecerá secreto. «Para evitar incidentes diplomáticos», sugere um dos autores resguardado pelo anonimato. O documento circula livremente em algumas ONG. Está claramente demonstrado como o Ruanda sustenta a guerra e a instabilidade para servir os seus interesses: a «estratégia do Ruanda, escrevem os peritos da ONU, consiste em manter sob seu controle e sua influência partes importantes do território do leste do Congo. (...) O restabelecimento do controlo de um governo de unidade nacional colocaria em perigo este objectivo de controle territorial.»
E, em seguida, os homens da ONU tentam sensibilizar as multinacionais mineiras presentes no terreno. Elas são inúmeras. Belgas. Suíças. Alemãs. Canadianas. Americanas. Empresas como a Cabot Corporation de Boston, do qual o PDG, Samuel Bodman, viria a ser nomeado Secretário de estado da energia no governo de George W. Bush. As empresas que transportam o minério também, como a SDV, filial a 100 % do grupo Bolloré do quais os responsáveis no terreno são os únicos a ter recusado a reunir com o grupo de peritos (o que lhes valeu serem denunciados pelo conselho de segurança da ONU numa lista negra ao lado de Victor Bout, célebre traficante de armas russo). Os homens das Nações Unidas procuram fazer compreender que o negócio do minério alimenta directamente a guerra. Legitima-a e financia-a. Seria necessário desinvestir. São educadamente ouvidos, mas após a sua partida os negócios retomam. E a guerra também. «O índice de morte no Congo», explica Brian Wood da Amnistia Internacional, «é um 11 Setembro por dia. »

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A política faz-se com as pessoas, na rua, no dia a dia, sempre!

Hoje encontrei nas palavras de uma entrevista a José Saramago um conforto que as obras do nobel não transmitiram com a mesma força.

Combinando palavras dele com outras minhas, tentando não alterar o sentido das dele, tenho uma mensagem muito simples que é o que quero transmitir neste post:

"Marx nunca teve tanta razão como hoje." Mas "Não é a razão póstuma que possa ter Marx que vai resolver os nossos problemas." A política verdadeira, e as verdadeiras políticas de mudança, fazem-se na rua "As pessoas movem-se mas necessitam de uma ideia que as faça mover."


A 8 de Março deste mesmo ano participei na marcha da indignação lado a lado com 100 000 professores, foi das melhores experiências que vivi. Tanta gente, na sua maioria sem filiação política, muit@s tendo votado PS, a protestar, a fazer valer a sua palavra, a sua opinião, a sua posição enquanto cidadão, enquanto pessoas, enquanto parte activa desta democracia decadente e podre, lembrando o significado dessa palavra, democracia, que tanto nos querem fazer esquecer!

É com grande ansiedade que espero repetir esta experiência com mais pessoas ainda, amanhã, dia 8 de Novembro!

Deixo aqui o convite para que todos participem, amanhã, no Terreiro do Paço pelas 14.30!
Pelos direitos dos professores e pela qualidade do ensino em portugal!

Mais uma coisa bonita, das mãos, dos lábios e da alma de um grande professor:
http://www.youtube.com/watch?v=hfKU5pA-CRI

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Commander n Chief, President Obama

O novo presidente dos EUA prometeu mudança, o que podemos esperar dos próximo quatro anos?


Sem dúvida alguma que muito mudará, mas principalmente a nível interno. Obama prometeu um sistema nacional de saúde pública, investimento na educação, uma redistribuição de riqueza mais democrática...Resta saber se o primeiro presidente negro dos estados unidos tem o que é preciso para enfrentar os gigantes das companhias de seguros de saúde, e os gigantes da economia americana que estão habituados a tratamento preferencial pela administração Bush.


É previsível que a mudança de Obama se submeta à necessidade de manter a estabilidade política de um país que resiste à evolução social...


A vontade assumida de continuar a caça virtual a um terrorismo imaginário e a possibilidade de se manter em funções o responsável pela pasta da defesa mostram que em muitos assuntos os dois partidos norte americanos não são mais que duas faces da mesma moeda, uma moeda ao serviço dos senhores da reserva federal americana...




Nas palavras de Rockefeller "As guerras não são para ser ganhas, são para se ir ganhando, pois só assim podem ser lucrativas"




Obama envia ao mundo uma mensagem de necessidade de mudança, de evolução, em países socialmente atrasados, como os eua, essa mensagem pode significar mudar só um pouco, nunca o essencial, mas o apoio internacional direccionado a esse vontade de mudar pode bem ser um passo no sentido da verdadeira evolução, aquela que começa com R